Biografia

Elinton Andrade

Perfil

  • Nome: Elinton Sanchotene Andrade
  • Aniversário: 30/03/79
  • Naturalidade: Santa Maria - RS
  • Nacionalidade: Brasil / Portugal
  • Posição: Goleiro
  • Altura: 1,90 m
  • Peso: 85 kg
  • Time: Olympique de Marselha (França)


BIOGRAFIA ELINTON ANDRADE

Andrade na escolinha do ConfiançaNo dia 30/03/79, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, nasceu Elinton Sanchotene Andrade, filho de Arlindo Andrade e Susette Sanchotene e irmão de Talitta.

Apaixonado por brincadeiras com bola, desde pequeno já sabia o que queria ser quando crescesse: jogador de futebol. Na ausência do pai, que faleceu quando Elinton era criança, sua mãe sempre foi a maior companheira nas brincadeiras com bola. Quando completou nove anos, entrou na escolinha do Confiança, que ficava dentro da Vila Olímpica do Salgueiro, na Tijuca, bairro do Rio de Janeiro onde foi criado desde pequeno após sua família se mudar para a Cidade Maravilhosa.

Mas os primeiros momentos na escolinha do Confiança foram como jogador de meio-campo. No entanto, certo dia, um dos goleiros faltou. Andrade decidiu ir para o gol e de lá nunca mais saiu.

“Levei gol de todas as maneiras, mas me apaixonei pela posição. No dia seguinte eu cheguei todo equipado com roupa de goleiro e com um mês o treinador já me elogiava”

Porém, nem tudo aconteceu da maneira que ele esperava. Quando tinha 10 anos, a escolinha do Confiança acabou. Elinton, sem opção, virou goleiro da seleção de handball do colégio Marista São José, onde estudava, e também agarrava no time de futebol da sua turma, no campeonato entre os alunos.

Andrade adolescente com sua mãe Susette, sua irmã Talitta e seu pai de criação EduardoAos 11, recebeu de braços abertos alguém que seria muito importante em sua carreira: seu pai de criação, Eduardo, cujo relacionamento com a mãe do goleiro deu a este uma nova irmã, Nicole. Assim, Elinton ganhou um pai, que o acompanhou e o orientou na vida profissional e pessoal.

“Minha mãe sempre foi a minha melhor parceira para jogar futebol. Era ela que ficava chutando as bolas para eu agarrar. Devo tudo a ela, mas não tenho como deixar de agradecer ao Eduardo, meu grande pai, e às minhas irmãs. Meu sucesso só aconteceu com a contribuição de cada um deles”

A Copa do Mundo de 1994, na qual o Brasil sagrou-se tetracampeão, marcou definitivamente a carreira de Andrade. O pênalti perdido por Roberto Baggio e um reencontro com o primeiroprofessor da escolinha do Confiança fizeram reacender sua paixão pelo futebol.

O RETORNO DO SONHO DE MENINO

“Esse meu antigo professor, Egnoel, que foi quem me levou para o Confiança, estava como diretor do América-RJ e me telefonou perguntando se queria passar a treinar na categoria infantil. Não pensei duas vezes”.

Após mostrar ótimo desempenho nos dois anos que ficou entre os juvenis, Andrade subiu de categoria e, em 1998, passou a defender o time de juniores, no qual ficou por um ano, antes de trocar o time rubro pelo Centro de Futebol Zico, CFZ-RJ.

A estreia como profissional

Elinton Andrade chegou ao CFZ-RJ em seu segundo ano de juniores. Sob o comando do técnico Adílio, um dos grandes jogadores da história do futebol brasileiro, ele começou a projetar a sua carreira. Os treinamentos com o preparador de goleiros Júnior Reis são lembrados com carinho e admiração até hoje.

“Foi o melhor preparador com quem já trabalhei. Lembro-me dele dizendo: filho, você ainda não é goleiro, mas tem três qualidades fantásticas. Impulsão, velocidade e um amor pela posição capaz de mover montanhas. Se você me passar tudo isso diariamente, eu te dou a técnica para se transformar em um bom goleiro”.

A sinceridade de uma pessoa gabaritada no assunto assustou o então jovem jogador. Mas não o fez desistir, pelo contrário. As palavras de Júnior Reis o incentivaram e Andrade passou a treinar em dois períodos: de manhã, no time de juniores com Marcelo Gaúcho, profissional que deu importante contribuição à carreira de Elinton; e à tarde, nos profissionais.

Em 1999, o então técnico Andrade, ex-jogador do Flamengo-RJ que posteriormente se tornaria o comandante da equipe rubro-negra campeã brasileira de 2009, deu a primeira oportunidade a Elinton. Logo no primeiro Campeonato Carioca de Juniores, o time ficou os 14 primeiros jogos sem tomar gol, fazendo com que Elinton conquistasse a confiança de Zico.

Andrade estreia como profissional no CFZ-RJ“Conquistamos o título estadual de juniores levando somente um gol em 16 jogos. Neste mesmo ano também fomos para a final do Torneio Octávio Pinto Guimarães onde perdemos para o Fluminense. Foi a minha primeira grande decepção”

Depois disso, Elinton Andrade assinou o primeiro contrato como profissional com o CFZ-RJ. Esperou pacientemente uma chance entre os titulares, até que ela apareceu no meio do ano 2000. Conseguiu uma boa sequência de jogos até começar a Série B do Rio. A diretoria contratou um goleiro mais experiente, Paulo Renato, e Elinton voltou para o banco de reservas. Logo na estreia, contra o Campo Grande, o novo goleiro pegou um pênalti, mas foi expulso no final.

“Entrei no final dessa partida e me preparei para jogar a próxima. Mas justamente nessa semana aconteceu a minha primeira e única lesão muscular da carreira. Um estiramento de 6 cm no adutor da coxa direita que me tirou dos gramados por quase três meses. Aprendi muito nesse período e evoluí mentalmente. Trago isso até hoje”

Em 2001, o CFZ-RJ apostou em Elinton Andrade. O treinador era Andrade, o mesmo que o lançou em 1999, quando ficou 14 jogos sem levar gol. Com a confiança de todos, Elinton teve uma boa temporada e seu time ficou a uma vitória de conquistar o acesso para a elite do futebol carioca.

Primeiro tÍtulo profissional

Mas a vida seguiu. O CFZ-RJ não conseguiu a vaga, mas a boa campanha despertou o interesse de grandes clubes, como Flamengo e Fluminense. As negociações não se concretizaram e o elenco todo foi para Brasília jogar pelo CFZ-DF.

“Chegamos lá sabendo que Gama e Brasiliense dominavam o Campeonato Candango. Mas fomos vencendo as partidas e trilhando o caminho para o título estadual de 2002”

No fim das contas, o CFZ-DF estava na decisão com o mesmo grupo que tinha perdido a chance de subir para a Série A do Campeonato Carioca. A decepção no ano anterior virou euforia com a inédita conquista.

Julio Cesar e Andrade treinando no Flamengo-RJFlamengo, o primeiro clube grande

Em 2003, com aval de Zico e a convite do ex-jogador do Flamengo, Andrade, o goleiro assinou contrato com o Rubro-Negro, onde treinou ao lado de nomes como Julio Cesar (atual goleiro da Seleção Brasileira), Felipe (atualmente no Vasco), Athirson (atualmente na Portuguesa-SP), entre outros.

No time de maior torcida do Brasil, apesar de feliz pela primeira oportunidade em um grande clube, Elinton Andrade não foi aproveitado como desejava. Os nomes da vez eram Julio Cesar e Diego. O Flamengo serviu mesmo como aprendizado.

Fernanda

Elinton e Fernanda no início do namoroNo ano seguinte, Elinton Andrade se transferiu para o Rio Claro-SP, onde pouco jogou. Mais uma vez era hora de usar a mente e saber o que fazer da vida. O tempo estava passando e a carreira precisava decolar.

“A única coisa boa de 2003 foi encontrar a Fernanda. Sabia desde o início que ela seria minha esposa e mãe dos meus filhos”

O inÍcio da amizade com RomÁrio

Romário e AndradeO final de 2003 reservou um encontro importante para a carreira de Andrade. Ele conheceu Luís Antônio, ex-jogador de Flamengo e Fluminense, que passou a gerenciar sua carreira indicado por Fernando, na época sócio de Luis Antônio e homem de confiança de Elinton, já que seguia a filosofia de trabalho de Junior Reis – atualmente, Fernando é treinador de goleiros dos juniores do Flamengo.

Em 2004, Elinton acertou a sua transferência para o Bangu, onde disputou o Campeonato Carioca daquele ano.

“A equipe não teve bom desempenho, mas pessoalmente fui bem, sendo reconhecido, inclusive, pelos jornais. Agradeço ao treinador Marcelo Cabo e ao preparador de goleiros Wagner, que, mesmo com os resultados adversos, continuavam depositando as fichas em mim”

Após o campeonato, Elinton deixou o Bangu e ficou sem clube. Perseverante, passou a treinar com bola no CFZ-RJ, sob a orientação de Fernando Profeta, então treinador de goleiros do clube, e na praia com o preparador físico Miguel Habib, seu grande amigo. Foi justamente nas areias da Barra da Tijuca que, jogando futevôlei, conheceu Romário, ídolo desde 1994.

Fluminense, uma rÁpida passagem

Fernando Henrique treina sob o olhar de AndradeVendo a dedicação e qualidade do profissional, Romário, então jogador do Fluminense, o indicou para o Tricolor. A saída do atacante do time das Laranjeiras, no entanto, surpreendeu Andrade e acabou o colocando em uma difícil situação. A diretoria do Fluminense reconheceu seu trabalho e decidiu mantê-lo no elenco para a temporada de 2005. Feliz, Andrade saiu de férias com a família e, quando voltou, ligou para Romário para agradecer tudo o que tinha feito por ele até aquele momento. Mas o goleiro foi pego de surpresa.

“Romário tinha retornado ao Vasco e me disse que já havia acertado com o Eurico a minha contratação. Fiquei sem reação. Confesso que minha cabeça ficou perdida. No Fluminense eu estava sendo contratado por tudo que eu mostrei nos treinamentos. No Vasco estaria indo por indicação do Romário e totalmente desconhecido. Depois de muito pensar, optei pelo Vasco, pois precisava jogar e lá a chance seria maior. Só fiquei chateado porque meu empresário na época não falou nada com o Fluminense e eles souberam da minha ida para o Vasco pela imprensa. Não era para ser assim. Esse não é meu tipo de caráter”

Vasco, primeiro clube grande a dar oportunidade

Chegando ao novo clube, Andrade queria mostrar que não estava ali apenas por ter sido indicado por Romário. Seu contrato era de apenas seis meses e com um baixo salário. Mas isso não foi empecilho para o goleiro, afinal ele queria jogar.

Os dias foram se passando e uma informação bombástica chegou. A diretoria não tinha inscrito Elinton Andrade no Campeonato Carioca alegando que o goleiro tinha um documento que o vinculava ao Serrano, de Petrópolis, time pelo qual seu empresário da época registrava seus jogadores para emprestar a outras equipes.

Seleção Brasileira da despedida de RomárioAssim, teve que esperar acabar a competição estadual e começar as nacionais, como Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro.

Alheio ao ambiente ruim que pairava no clube, Elinton Andrade seguiu treinando. Depois de participar muito bem do jogo de despedida do Romário da Seleção Brasileira, no México, em abril de 2005, a convite do próprio atacante, Andrade voltou renovado. Um mês depois, estreava com a camisa vascaína justamente contra o Flamengo.

“Perdemos por 1 a 0 , mas fui elogiado pela imprensa e pelos meus companheiros”

O resultado ocasionou a saída do técnico Dário Lourenço. Em substituição, chegou Renato Gaúcho. Sua estreia foi com vitoria de 3 a 2 sobre o Santos, na Vila Belmiro. Novamente Elinton Andrade foi muito elogiado pela imprensa.

Depois de ir bem novamente contra o Corinthians, em São Januário, e ter o nome gritado pela torcida antes e depois do jogo, Andrade enfrentou um dos maiores obstáculos em sua carreira: a derrota por 7 a 2 para o Atlético-PR, em Curitiba.

Andrade defendendo o Vasco da Gama-RJ“Foi um momento difícil. Escutei por muito tempo que eu era goleiro de pelada do time do Romário, que jogava só na praia. Lembro bem a quantidade de defeitos que muitos jornalistas e locutores famosos colocaram em mim, esquecendo dos elogios que eles mesmos haviam me dado nos jogos anteriores. Mas não guardo rancores. Pelo contrário, eu agradeço, pois isso me deu ainda mais força para lutar. O que aconteceu faz parte da vida”

Para infelicidade do goleiro, uma séria lesão no ombro impediu que tivesse a chance de atuar novamente pelo Vasco e provar que não foi o culpado pela goleada sofrida. Mas, como diz o ditado, há males que vêm para o bem.

“Isso aconteceu com a pessoa certa, capaz de lutar e dar a volta por cima. E foi o que eu fiz. Esse jogo aconteceu no dia 27 de julho e no final de agosto me desvinculei do Vasco. Nem quis tentar uma prorrogação de contrato, pois estava cansado daquele lugar e da energia negativa que havia por lá”

VietnÃ

Com a saída do Vasco, Andrade aproveitou o tempo que ficaria parado para fazer uma cirurgia no nariz. Durante a recuperação, recebeu um convite de Abel Braga para jogar no Vietnã. Aceitou e foi tentar a sorte. Apesar de bem recebido pela diretoria do clube e ter acertado toda parte financeira, teve que declinar da negociação por um motivo no mínimo curioso.

Andrade no Vietnã“Eles me disseram que aumentariam a parte financeira, mas não queriam que eu levasse minha esposa alegando que já tinham mulheres suficientes para os jogadores. Confesso que dei risada na hora. Como não fazia sentido, recusei a proposta”

Ao voltar do Vietnã com a notícia de que havia recebido uma carta com resposta negativa do Consulado Português sobre sua naturalização, Andrade surpreendeu a todos quando fez escala em Paris e resolveu ir direto para Portugal, ao invés de voltar para o Brasil. Seu grande objetivo nessa hora era obter seu passaporte, já que tinha certeza de que isso era possível.

Ao mesmo tempo, seu novo empresário, o italiano Claudio Mossio, disse que havia uma possibilidade de um clube da Itália o contratar. Só precisava justamente de ter em mãos um passaporte europeu.

“Essa é a grande história da minha vida”

Momento mais difÍcil da vida pessoal e profissional

Amigos portugues no Natal em Quinta de CalvelosParentes distantes de sua esposa Fernanda os receberam de braços abertos em sua casa, na cidade de Vieira do Minho, em Portugal. Na pequena cidade, o casal viveu experiências inesquecíveis. 

“Plantei batata, tomate, pepino. Virei praticamente um agricultor. Passou o Natal, o Réveillon, 2006 começou e nada do passaporte europeu chegar. Agüentei como pude. Treinava sozinho todo dia. Às segundas-feiras eu subia a montanha correndo, às terças fazia um circuito no campo onde as ovelhas ficavam. Quarta-feira era dia de treino de velocidade em uma subida que tinha perto de casa. Às quintas e sextas treinava com bola, chutando na parede para treinar o reflexo”

Andrade faz treino de circuito nas montanhas deVieira do Minho Andrade faz treino de força com malas de roupa em Vieira do Minho Andrade faz treino físico plantando na horta em Vieira do Minho

Essa rotina durou sete meses. A musculação era feita com as malas de roupas, que nunca eram desarrumadas, já que a expectativa era a de que tudo seria resolvido em pouco tempo.

Os desgastes começaram a aparecer. Em abril de 2006, a esposa Fernanda voltou para o Brasil. Andrade, no entanto, resistiu e permaneceu firme em seu objetivo, com a certeza de que a recompensa estava por vir.

Andrade na competição de FutevôleiAté que, em maio daquele mesmo ano, o presidente da Federação de Futevôlei de Portugal, Jorge Alves, conseguiu diretamente com o ministério em Lisboa o pedido para Andrade representar a seleção portuguesa nos mundiais de futevôlei na Grécia, Suíça e Espanha. Cinco dias depois, o nome estava no Diário da República dizendo que ele havia conseguido a naturalização portuguesa. Assim, Andrade foi representar Portugal, certo de que a vida ficaria mais tranquila naquele momento, pois o passaporte europeu em breve estaria em suas mãos.

Mas nem tudo aconteceu do jeito que Andrade esperava. Logo depois de disputar os jogos, ele voltou de férias para o Brasil, em junho, na época da Copa do Mundo de 2006.

Futebol italiano, um breve sonho

Em julho, Andrade, enfim, conseguiu ser apresentado pelo Ascoli, da Itália. Mas ainda existia um problema: apesar de seu nome já estar no Diário da República, em Portugal, seu passaporte ainda não estava em suas mãos. Enquanto esse problema era resolvido, Andrade viajou com o time para a pré-temporada.

“Eu já imaginava os jogos contra os grandes da Itália. Foi legal enquanto durou, pois tive a felicidade de jogar a pré-temporada inteira e tinha ao meu lado o Pagliuca, ex-goleiro da Itália na Copa de 94. Uma experiência e tanto nesses dois meses que fiquei no Ascoli”

Como seu objetivo ainda não havia se concretizado, Andrade retornou a Vieira do Minho, em Portugal, após deixar o Ascoli. Lá esperou o acerto total do passaporte europeu. Nesse período, passou por momentos complicados de ordem familiar, mas que depois foram solucionados com calma. Acabou voltando para o Brasil e mais uma vez com a rotina de treinar na praia e com amigos sempre ajudando. 

Jornal do Maranhão anuncia a contratação de Andrade pelo Moto ClubNova oportunidade no MaranhÃo

Em janeiro de 2007, ainda sem clube, foi com os familiares na Igreja de São Judas Tadeu. Agradeceu, rezou, pediu. E as preces foram atendidas. Uma ligação do empresário Ricardo Miranda mudou o rumo da carreira de Elinton Andrade. 

“Ele me ligou com a possibilidade de ir para o Moto Club, do Maranhão, onde além do Campeonato Maranhense eu também disputaria a Copa do Brasil, enfrentando o Goiás. Confesso que não era o que eu queria, mas não estava em condições de escolher. Na mesma hora falei para mandar a passagem. Naquele mesmo dia eu estava no avião indo para o Maranhão e me apresentando ao clube como a maior contratação para o campeonato, pois chegava como ex-goleiro do Vasco”

A torcida fez grande festa e depositou em Andrade todas as esperanças de ganhar o Campeonato Maranhense. Mesmo perdendo na final para o Imperatriz, o goleiro tinha voltado para o cenário do futebol. Nem mesmo os dois meses de salários atrasados impediram o goleiro de se destacar. Em 20 jogos do campeonato, Andrade foi eleito o melhor em campo 11 vezes.

A volta ao futebol carioca

Chegando ao Rio em 19 de abril de 2007, Andrade recebeu o convite do técnico Marcelo Buarque, que estava no Duque de Caxias, para disputar a Copa Rio. Aceitou no ato e acertou contrato de três meses.

Foram dez jogos, com nove vitórias e uma derrota. Quando a equipe estava no quadrangular final da Copa Rio, Elinton recebeu um fax de seu empresário com o interesse do Dacia Mioveni, da Romênia. Após ter a liberação da diretoria do Duque de Caxias, Andrade embarcou no dia 9 de julho de 2007 para jogar um ano pelo novo clube.

Nova chance na Europa

O Dacia Mioveni era uma equipe que tinha acabado de subir para a primeira divisão romena e que tinha como objetivo principal não ser rebaixado novamente. Logo nos primeiros dias, os companheiros olhavam para Andrade com um olhar de admiração diante do que ele mostrava nos treinamentos.

Tanto que, após dois dias de treinos, seu empresário o negociou para um clube de ponta do país, o Rapid Bucaresti.

Enfim, a carreira decolou. Nasce o filho Bernardo

Andrade defendendo o Rapid Bucaresti-ROMO Rapid Bucaresti estava sempre lutando por títulos na Romênia. Participava constantemente de competições europeias. Andrade se apresentou ao novo clube e viajou imediatamente para Suíça, local onde seria a pré-temporada. O goleiro foi recebido de braços abertos por todo o elenco e seria companheiro de posição de Danut Coman, titular da seleção romena na época.

“Os dois primeiros anos foram sensacionais. Coman se tornou um grande amigo e isso facilitou muito a minha adaptação. Na segunda temporada chegou um preparador de goleiros da Sérvia, Zivanovic, mas que para minha sorte, falava português, por ter trabalhado em Portugal. Com a ajuda dele eu renovei meu contrato por mais um ano”

Depois de ganhar a titularidade, Andrade foi eleito o melhor goleiro do primeiro turno na temporada 2008/09. Com a descoberta da gravidez da esposa Fernanda, o goleiro decidiu, junto com o seu empresário, que estava na hora de tentar alçar voos mais altos.

Para dar ainda mais motivação ao jogador, no dia 6 de maio de 2009 aconteceu o momento mais emocionante de sua vida: o nascimento de seu primeiro filho, Bernardo.

Fernanda e Elinton no nascimento de Bernardo“A emoção de ver o seu filho nascer é simplesmente indescritível. Fico emocionado toda vez que lembro e tenho certeza de que será assim até o último dia da minha vida”

Para completar sua felicidade, um mês após a chegada de Bernardo, Elinton recebe a notícia de que o francês Didier Dechamps, capitão da França no título da Copa do Mundo de 1998 e então técnico do tradicional Olympique de Marselha, havia pedido a contratação de Andrade.

Andrade colhe os frutos de seu esforÇo:
carreira estabilizada e tÍtulos

Andrade - em pé de cinza - com os amigos Morientes, Hilton, Heinze e Lucho GonzalesAndrade foi apresentado em seu novo clube no dia 14 de julho. O Olympique de Marselha é, sem dúvida, o melhor clube na carreira do goleiro. Os jogadores Lucho González e Gabriel Heinze, ambos argentinos, o espanhol Fernando Morientes e os brasileiros Brandão e Hilton foram as primeiras amizades feitas.

“Fui recebido com muito carinho por todos no clube. Funcionários, jogadores, integrantes da comissão técnica. Todos me trataram como se eu fosse um campeão do mundo. Com essa atmosfera e a estrutura maravilhosa de trabalho que o OM oferece, era impossível não trabalhar sempre dando 100%. Com isso os resultados foram acontecendo”

Mesmo sendo reserva de Steve Mandanda, goleiro da seleção francesa, Andrade nunca relaxou e jamais deixou de apoiar os companheiros. O trabalho foi fluindo e, em seis meses, o goleiro assinou a renovação por mais duas temporadas.

“Graças a Deus estou em um clube cercado de amigos e onde me identifiquei logo de cara. Como recompensa, nesse primeiro ano de OM, conquistamos dois títulos depois de 17 anos de espera: a Copa da Liga da França e o Campeonato Francês. E para começar com o pé direito a temporada 2010/11, conquistamos a Supercopa da França, nossa primeira competição oficial. Foi impressionante e emocionante a festa feita pelos torcedores”

Heinze celebra gol 'casita' com AndradeUma prova do companheirismo existente no elenco aconteceu na partida que deu o título do Campeonato Francês ao clube de maior torcida no país.

“Nunca esquecerei a atitude de Heinze, meu grande amigo argentino, que quando fez o primeiro gol contra o Rennes, no jogo em que fomos campeões, veio na minha direção na comemoração do gol e gritava ‘casita’, ’casita’, lembrando que se conquistássemos o título, eu teria condições de comprar minha primeira tão sonhada ‘casita’. Eu chorava como uma criança”

Diante de uma história de perseverança, superação e amor, Elinton Andrade resume assim sua vida:

“Sou como Fênix. Quando todos julgam que estou derrotado e ferido, ressurjo das cinzas mais forte e com mais vontade de lutar. Sou guerreiro e não me deixo abater, meu objetivo é vencer!”

Andrade tatua seu lema de vida nas costas